O ano começou com pressão sobre os preços da soja no mercado brasileiro, que caíram abaixo de R$ 100 por saca em Mato Grosso. A queda foi provocada por uma “tempestade perfeita” no mercado físico ocorrida ao longo de janeiro: queda acentuada do dólar frente ao real no momento em que o país começa a colher o que pode ser a maior safra de sua história; elevação do custo logístico; recuperação tímida das cotações na Bolsa de Chicago, que seguiram abaixo de US$ 11 por bushel, sem compensar as perdas nas demais frentes.
Colheita e câmbio
Mato Grosso, que puxa o ritmo da colheita, foi um dos estados que mais sentiu a queda nos preços. Em Lucas do Rio Verde (MT), no médio-norte, a saca com entrega e pagamento imediatos chegou a ser cotada a R$ 98,00 no dia 27, menor valor desde maio de 2024, e terminou janeiro com uma queda mensal de 15%. No mesmo período, o real teve uma valorização de 4,4% em relação ao dólar, seguindo o cenário internacional de perda de força da moeda norte-americana. O câmbio spot chegou a fechar a R$ 5,194 no dia 29, também o menor fechamento desde maio de 2024.
Frete caro
Do lado da logística, a chegada da safra e as chuvas frequentes na região norte do país provocaram longas filas de caminhões em Miritituba (PA), importante corredor logístico para Mato Grosso. Com isso, o custo logístico do médio-norte de Mato Grosso até Barcarena (PA) saltou 35% em janeiro, impactando o preço FOB interior.
Chicago e prêmios limitam perdas
Na Bolsa de Chicago, as cotações trabalharam sob pressão na primeira quinzena de janeiro, quando atingiram seu menor nível em três meses. No dia 13, o contrato mar/26 fez mínima de US$ 10,3775. Depois disso, porém, a soja engatou uma sequência de altas na bolsa, com suporte da queda do dólar e do clima mais seco na Argentina e no Sul do Brasil, terminando o mês com saldo positivo de US$ 0,17 por bushel.
Do lado da demanda internacional, os preços competitivos do Brasil, o atraso no início da colheita do Paraná, a queda do dólar e os problemas para o escoamento da safra de Mato Grosso deixaram os prêmios firmes, mesmo diante da promessa de safra recorde. Em Paranaguá (PR), o prêmio para embarque em mar/26 terminou janeiro em +US$ 0,35 por bushel, bem acima dos US$ +0,10 do fim de dezembro. Por isso, a conta Chicago + prêmio para mar/26 acabou registrando alta mensal de 3,9%.
Em um cenário marcado por câmbio, logística e preços internacionais voláteis, a Assessoria em Comercialização da AgRural auxilia o produtor a interpretar os movimentos do mercado e a definir estratégias mais eficientes de venda.
SOJA | Variação dos Componentes de Formação de Preço em Lucas do Rio Verde (MT)
AGRURAL Variação registrada em 30/jan/26, em relação a 30/dez/25.