O relatório mensal de oferta e demanda divulgado nesta terça-feira (10) pelo USDA não fez alterações no quadro de soja dos EUA. No tamanho da produção 2025/26 não se esperava que o órgão mexesse mesmo, já que o número estimado em janeiro agora só passará por ajuste no relatório de outubro, depois de levantados os estoques físicos de setembro, que são os estoques de passagem americanos e servem para a calibragem do tamanho da safra anterior.
Com muitas incertezas ainda rondando o esmagamento dos EUA (devido a regras de biocombustíveis ainda não publicadas) e as exportações (a China vai mesmo comprar 20 milhões de toneladas, como disse o presidente Trump na semana passada?), o órgão preferiu também não mexer nos números da demanda, mantendo os estoques finais em 9,5 milhões de toneladas.
Safra 2026/27
A expectativa do mercado, agora, fica por conta dos primeiros dados de intenção de plantio na safra 2026/27 dos EUA, que serão divulgados nos dias 19-20/fev, no USDA Outlook Forum. Embora a rentabilidade oferecida pela soja não esteja atraente, o grão tende a recuperar parte da área perdida na safra passada, já que o cenário está ainda pior para culturas concorrentes, como o milho e o algodão.
Brasil 180 x Argentina 48,5 mi de t
No quadro mundial, o USDA aumentou a produção 2025/26 do Brasil, que está sendo colhida, de 178 milhões para 180 milhões de toneladas, aproximando-se dos números de consultorias privadas (a AgRural trabalha com 181 milhões) e afastando-se dos 176,1 milhões de toneladas da Conab.
O órgão americano também aumentou a produção 2025/26 do Paraguai, que está colhendo uma excelente primeira safra. Já a produção da Argentina, que enfrenta problemas climáticos, mas ainda não tem quebra de safra confirmada, foi mantida em 48,5 milhões de toneladas. A importação chinesa, por sua vez, ficou inalterada, em 112 milhões de toneladas.